Seminario Permanente: “Cidade, Cultura Urbana e Cibercultura», agosto-dezembro de 2013, San Paulo.

A era da cultura global é, pela definição de Manuel Castells, a era da sociedade-rede e o governo das máquinas inteligentes. Tão determinante é o papel das Novas Tecnologias da Informação e Comunicação (NTIC) que constituem o objeto e marco estratégico do que preferencialmente tendem a ocupar-se as instituições e políticas públicas, tanto a nível internacional quanto a nível nacional e regional. As NTIC marcam, em boa medida, os principais debates nos organismos internacionais de regulação (UNESCO, OMC, UIT) a partir do desacordo acerca do status da cultura como bem público ou como serviço sujeito aos princípios mercantis e o papel mediador das NTIC no marco de desenvolvimento da nova governança global. É neste contexto que toma centralidade os estudos sociais, políticos e culturais sobre a cultura digital e, de novo, a investigação sobre o papel da comunicação na construção do espaço público e a cultura urbana que faz possível e necessário os processos de  inovação, criatividade e transformação produtiva do trabalho imaterial associados à modernidade.
 
As complexas  mediações socioculturais da atual dinâmica do mercado e das economias de escala, impulsionadas pelo calor do processo de modernização tecnológica alteram os espaços urbanos capitalizando e desterritorializando as senhas de identidade e o desenho do habitat, ao ponto de aumentar as contradições entre inovação científica-técnica e cultura pública, especialmente em regiões vulneráveis e periféricas como América Latina. Analisar e debater os usos e a projeção social das NTIC e da Comunicação  em  geral, desde o ponto de vista do desenvolvimento cultural do território, constitui  neste sentido uma tarefa prioritária e que representa repensar que significa hoje ser cidadão, em que consiste hoje ser sujeito de diretos, ou de outra forma, em que há de consistir e diferenciar-se a denominada cidadania digital no momento de exercer o direito à cidade das novas polis do século XXI imersa paulatinamente em novas dinâmicas próprias da era da tecnopolítica e da hipermediação.
 
O Seminário Permanente de Pesquisa “Cidade, Cultura Urbana e Cibercultura” convoca, desta forma, a comunidade acadêmica da UnB e representantes da sociedade civil a pensar e redefinir as formas de articulação do pensamento e estudos urbanos sobre a mediação, a partir do conhecimento crítico-reflexivo dos diversos problemas históricos, tecnológicos, cognitivos, ideológicos e culturais dos novos meios e mediações que ocupam lugar no atual processo de globalização, e configuração da cidade com interface de análises dos problemas relativos à Cidadania, à Tecnologia e à Cultura.

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