Crítica da cultura digital e alternativas democráticas

Tese para uma leitura produtiva
Por Francisco Sierra Caballero
Em seu célebre livro Escritos corsários, Pier Paolo Pasolini descreveu, com a maestria própria de quem sabe ler as cinzas de Gramsci, as chaves interpretativas de um futuro que passou e perfilou nosso presente, a cultura do consumo pós-fordista, a ars retorica do protesto do novo sujeito da pós-modernidade, submetido à subcultura do poder que absorveu a cultura de oposição na era do neopragmatismo que tudo invade e comunica, que converte tudo em slogan mediante a anulação do poder simbólico e transcendental da linguagem, além de impor as necessidades de homologação e aculturação mercantil características do mundo inexpressivo da nova cultura de massas.     
Neste novo cenário, concluía Pasolini, o primeiro dever de um intelectual é “exercer, apesar de tudo e sem fazer concessões de nenhum tipo, um exame crítico dos fatos, manter viva a vontade de crítica real, com senso comum e concreção (2009, p. 35), exercício que Edward Said (2007) identifica como a afirmação da liberdade. Mas, alinhado à leitura premonitória de Pasolini, Said desenha, analiticamente, um cenário confuso, maleável, disperso e complexo para a função social da inteligência criativa, para o poder transformador da crítica social, visto que, entre outras mudanças estruturais de grande alcance, a produção de conhecimento na era pós-1968 foi crescentemente determinada pela constituição de um campo de criação em comum, pela acumulação de saber social acumulado e sistemas de informação abertos, instáveis, itinerantes, além de conectados, que dão conta da prevalência em nosso tempo de modelos complexos de organização, orientados para o intercâmbio e a inovação permanentes, ou seja, para a invenção da invenção.

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